A busca pelas memórias perdidas em uma guerra guiam o diretor e personagem principal do filme, Ari Folman. Lembranças delirantes do passado o fazem duvidar do que é real e do que é criação do imaginário.
O filme mostra como a mente e a memória são poderosas, protegem as pessoas de traumas e reconstroem momentos. Mesmo se não foram vividos, fatos são criados enquanto outros são completamente apagados.
O Diretor Ari Folman vai atrás do que aconteceu na Guerra do Líbano, conhecido como o massacre de Sabra e Chatila, em 1982 — duas vilas palestinas ao sul do Líbano que foram massacradas por milícias cristãs falangistas do presidente Bashir Gemayel —. Procura por amigos de batalha e tenta, ao máximo, se submergir nesse mundo violento para tentar entender o que aconteceu e porque flashes e pesadelos perturbam seus sonhos.
“A idéia era colocar tudo em proporção. Não queria que as pessoas saíssem do
cinema pensando: ‘muito boa essa animação, tem músicas legais, uns desenhos
bonitos…’ Sim, é um filme de animação, mas milhares de pessoas morreram.
Isso é real: crianças e mulheres foram massacradas”.
“Em filmes americanos, mesmo nos que criticam a guerra, você sempre vai ter um
certo glamour em torno da guerra: a glória, a amizade entre os soldados, a
masculinidade, a bravura. Você vê e fala: ‘sim, é um filme antiguerra, mas eu
quero ser um desses caras’. Com ‘Bashir’, quero que os jovens vejam e não
queiram se sentir parte disso.”
