Além da Vida

16 02 2011

Quando foi a última vez que parou para pensar no que vem depois da única certeza que tem na vida: a morte?  
O coração acelera. O medo do desconhecido toma conta. Como conviver com uma verdade tão absoluta?   
Para alguns, o tema não é nada agradável… Para outros, uma ótima filosofia para criar hipóteses.

Independente se você prefere ignorar o assunto ou se adora estudá-lo, o filme novo de Clint Eastwood é uma ótima indicação.

As imagens dos cinco primeiros minutos do filme já valem o ingresso ou a locação… É difícil desgrudar os olhos da tela.

Apesar do tema ser polêmico, Eastwood consegue abordá-lo de uma maneira delicada. O enredo é levado por histórias de personagens que se unem pelo destino e por um interesse em comum: a vida após a morte.

Marie Delay fica desnorteada depois de sofrer o acidente

- A jornalista francesa Marie Delay (Cécile de France) passa por uma experiência de quase-morte em uma viagem. Quando retorna à França, já não é a mesma mulher de antes. Ela não consegue seguir a vida. Ela precisa compartilhar e estudar mais sobre o que sentiu e o que viu…

Marcus: solitário e cheio de dúvidas a respeito da vida após a morte

- O pequeno inglês Marcus (interpretado pelos gêmeos George e Frankie McLaren) sofre com a perda do seu irmão gêmeo e a adoção temporária que teve que se submeter por causa da dependência química da mãe. Desde então, seu maior objetivo passa a ser a tentativa de comunicação com o irmão do outro lado…

Medium: dom ou maldição?

- Nos EUA, um jovem tímido tenta ignorar um dom que possui. George Lonegan (Matt Damon) consegue se comunicar com os espíritos, mas evita fazer as comunicações, pois, para ele, não existe vida decente baseada na morte…

A conexão das vidas desses três personagens acontece em uma sincronia absoluta: um precisa do outro para seguir em frente. O encontro é bastante emocionante e, apesar de ser bastante triste, fica longe de ser um dramalhão que faz o telespectador soluçar de tanto chorar.  

Segundo o diretor do filme, o maior objetivo do filme era mostrar como a morte valoriza a vida e aproxima os vivos. E, acredite, esse objetivo é alcançado…   

(Informações gerais:  Hereafter, 2010, 129 minutos, drama, direção: Clint Eastwood e roteiro: Peter Morgan)





O Menino de Pijama Listrados

11 12 2009

O filme inspirado no livro fictício de John Boyle mostra a inocência de Bruno (Asa Butterfield), um alemão de 9 anos de idade, na época do Holocausto

 Ele e sua família moram em uma bela casa em Berlim, onde o garoto se diverte nos diversos andares e brinca do seu jogo favorito: investigar. Bruno é muito curioso, sempre procura uma descoberta, algo novo. 

Amizade Pura

No entanto, sua vida muda completamente quando tem que se mudar para Pôlonia. Seu pai é um militar nazista e foi encarregado de controlar o campo de concentração Auschwitz-Birkenau. No entanto, essa informação passa completamente desarbecebida por Bruno, que só estranha o fato dos seus “vizinhos” usarem pijamas listrados e morarem isoladamente.

 Sentindo-se sozinho, ele vai explorar o terreno até que chega na cerca que o separa de Auschwitz. Lá, encontra Shmuel (Jack Scanlon), um judeu da mesma idade. Os dois começam uma amizade incrível. O maior sonho deles é poder brincarem juntos sem nenhuma grade os separando.

A história mostra a inocência de Bruno, que sente inveja de Shmuel por morar em um lugar com muitas crianças, enquanto ele vive em uma casa solitária. Qualquer ato de violência que o menino presencia contra os judeus, busca alguma desculpa plausível . É a ingenuidade diante de um monstro que nem consegue imaginar.

(Informações gerais: The Boy in the Striped Pyjamas, 2008, 93 minutos, direção e roteiro: Mark Herman)





O Escafandro e a Borboleta (Le Scaphandre et le Papillon)

10 12 2009
 

Trailer Oficial Um dos melhores filmes que já vi. A história é bem triste, porém pela mensagem que passa, vale a pena. O telespectador acaba refletindo muito sobre sua própria vida. Por mais que seja uma realidade distante de muitos, é impossível não se colocar no lugar do Bauby e sentir o desespero que ele deve ter sentido.  

Jean-Dominique Bauby, o jornalista na vida real

O enredo se passa na França, onde o editor da Elle, Jean-Dominique Bauby, sofre um derrame cerebral que o deixa somente com o movimento do olho esquerdo. Toda sua vida perde sentido quando não consegue mais se expressar, até que uma das enfermeiras o ensina a se comunicar piscando o olho. 

Ouve-se no filme o que o Bauby pensa, o que dá um tom irônico ao filme, quebrando um pouco o drama. Julian Schnabel (Antes do Anoitecer) não podia ter dirigido melhor o filme baseado em fatos reais, deixando- o leve (não é daqueles dramas que você chora feito louco), mesmo com a tragédia do protagonista. 

O enredo é emocionante, você chora e ri com o Bauby, interpretado por Mathieu Amalric, que impressiona na atuação sensacional – mesmo ficando a maior parte do tempo sem falar e sentado,   sua expressão é magnífica —.

Livro que inspirou a filmagem

O nome do filme, que não deixa de ser super intrigante, é o mesmo do título do livro (Ed. Martins Fontes, 142 páginas, R$ 34, tradução de Ivone Castilho Benedett. Lançado em 1997) escrito por Jean- Dominique após o acidente. As páginas, que foram ditadas letra a letra através do movimento de sua pálpebra, atravessam momentos românticos, cínicos, depressivos e líricos.  

O jornalista, que antes do derrame era considerado arrogante, se mostra um lutador, que mesmo preso no seu corpo, um escafandro sufocante, conseguiu externar tudo que sentia. E tentava não se deixar levar pela tristeza, lembrando-se da beleza de viver através de cartas de amigos, memórias, gargalhadas e sorrisos de sua família.





Valsa com Bashir

9 12 2009

O diretor em forma de animação

A busca pelas memórias perdidas em uma guerra guiam o diretor e personagem principal do filme, Ari Folman. Lembranças delirantes do passado o fazem duvidar do que é real e do que é criação do imaginário.
O filme mostra como a mente e a memória são poderosas, protegem as pessoas de traumas e reconstroem momentos. Mesmo se não foram vividos, fatos são criados enquanto outros são completamente apagados.
O Diretor Ari Folman vai atrás do que aconteceu na Guerra do Líbano, conhecido como o massacre de Sabra e Chatila, em 1982 — duas vilas palestinas ao sul do Líbano que foram massacradas por milícias cristãs falangistas do presidente Bashir Gemayel —. Procura por amigos de batalha e tenta, ao máximo, se submergir nesse mundo violento para tentar entender o que aconteceu e porque flashes e pesadelos perturbam seus sonhos.

Além do enredo ser surpreendente, o documentário é todo retratado em animação. As imagens são belíssimas, a fotografia foi muito bem criada. Apenas nos segundos finais do longa que aparecem cenas chocantes e reais do massacre.

“A idéia era colocar tudo em proporção. Não queria que as pessoas saíssem do
cinema pensando: ‘muito boa essa animação, tem músicas legais, uns desenhos
bonitos…’ Sim, é um filme de animação, mas milhares de pessoas morreram.
Isso é real: crianças e mulheres foram massacradas”.

O diretor arremata, em entrevista para uma emissora, comentando sobre as mensagens que alguns filmes passam quando retratam guerras:

“Em filmes americanos, mesmo nos que criticam a guerra, você sempre vai ter um
certo glamour em torno da guerra: a glória, a amizade entre os soldados, a
masculinidade, a bravura. Você vê e fala: ‘sim, é um filme antiguerra, mas eu
quero ser um desses caras’. Com ‘Bashir’, quero que os jovens vejam e não
queiram se sentir parte disso.”

A razão para o nome “Valsa com Bashir” é dita quase no final do filme, simplesmente maravilhoso.
(Informações gerais: 2008. Israel. Direção e Roteiro: Ari Folman. Gênero: Animação, Biografia, Documentário, Drama, Guerra. Duração: 90 minutos.)




GOODFELLAS

9 12 2009
Tenho que confessar que não era muito fã de filmes com gangsters, mas depois de “Inimigos Públicos” com o Johnny Deep, mudei de idéia.
Primeiro, um filme cheio de ação e romantismo! Além disso, garante boas risadas. A tensão do que vai acontecer é constante, não dá para desgrudar da televisão.
Depois dessa experiência, fica difícil não se interessar pelo tema. Como pode badguys com linha de conduta e ética?
Pois é.
A mesma sensação de assistir a esse filme se repete com Goodfellas (Bons Companheiros). Sob direção de Martin Scorsese, diretor incrível que inspirou muitos filmes.
Dá uma olhada nessa cena:
Cena das introduções
Essa forma de filmagem foi copiada por muitos longas. Quantas vezes você já não viu?  
A atuação incrível de Robert DeNiro e Ray Liotta deixa qualquer um com o coração à mil.
Trailer oficial do filme
Além do enredo ser ótimo (e verídico, o que dá um tom muito mais emocionante ao filme), a trilha sonora é maravilhosa. Toca jazz, blues e rock. As músicas foram muito bem escolhidas, combinam perfeitamente com os personagens e cenas.
Essas são as mais animadas com batidas bem fortes, direito a guitarra em algumas e trompete em outras. Ritmos muito bons, que variam da década de 50 até 90.
Para quem curte música mais antiga e muita, mas muitas ação, é sucesso garantido!
(E o melhor, já é filme catálogo, mais barato).
 
Informações gerais: USA. 1990. Gênero policial e drama. Duração 2h25min. Diretor Martin Scorsese. Baseado no livro “Goodfellas” do co-roterista Nicholas Pileggi







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